A Floresta (Parte um)



Era um dia quente e luminoso de pleno Verão quando ela rumou à floresta na procura da aventura. Caminhou pelos trilhos durante largas horas, ao som do sopro suave do vento acompanhado pelo chilrear de pequenos pássaros. Gostava de explorar os trilhos milímetro a milímetro, encontrava sempre coisas tão bonitas. Era incrível como a Natureza conseguia fazer coisas tão maravilhosas, tão perfeitas … A Natureza era sem dúvida muito superior ao Homem, e todos os dias dava provas disso mesmo.
Perdia por completo a noção do tempo enquanto andava pela floresta, e nesse dia a rapariga desviou-se um pouco da sua rota habitual. Numa das várias bifurcações dos caminhos não seguiu a habitual direcção e isso foi suficiente para se perder. Na tentativa de se desenrascar tentou encontrar as suas pegadas, mas já não havia sinal delas. Começou então a andar em círculos, círculos sem fim. O sol pôs-se e ela continuava perdida e agora exausta. Começava a ganhar medo. O escuro não lhe metia medo, mas de noite a floresta ficava perigosa, os animais, os barulhos estranhos … Para azar menor era noite de Lua Cheia. Ao menos se até de manha ninguém viesse procura-la teria a companhia de uma fiel amiga. Com a noite chegavam também o frio. Os calções e a t-shirt que trazia não eram propriamente os melhores agasalhos para aquela noite na floresta. Conseguiu chegar até perto de um pequeno riacho, ao menos podia satisfazer a sede. A fome já apertava e lembrou-se que tinha na mochila um chocolate, tirou-o. Já estava meio derretido mas era melhor que nada. Comeu apenas um pequeno pedaço, poderia precisar de mais para mais tarde. Tinha a certeza que seus pais já estariam de coração nas mãos. A sua menina saíra para a floresta e ainda não voltara! “Se ao menos tivesse trazido o telemóvel”, pensou. Deixara o aparelho em casa, não gostava de estragar a tranquilidade da floresta com instrumentos tão típicos do Homem. Trouxera apenas a máquina fotográfica para poder registar os sítios mais belos. A fotografia era uma paixão. Não era propriamente grande fotógrafa, mas adorava fotografia.
Lentamente, o tempo lá foi passando. Estremecia a cada barulho que ouvia e fazia um esforço por se manter acordada. De vez em quando chegava-se ao riacho para molhar um pouco a cara de maneira a ser mais fácil manter-se acordada. Numa dessas vezes , tropeçou num galho e acabou por cair água. Quando se levantou, sentiu uma forte dor no pé e do joelho jorrava um grosso fio de sangue. “Perfeito! Perdida, encharcada, magoada, esfomeada! “ ironizou. Lavou a ferida, mas o sangue não parava. Despiu a t-shirt e atou-a à ferida como um garrote.
Ao longe ouvia barulho de passos, por um lado assustava-a, por outro poderiam ser a sua salvação. “Socorro! Estou Aqui ! Ajudem-me ! “ Gritou numa voz fraca. Tremia de frio, e lutava para não perder os sentidos. “Socorro!” Tentou novamente. Mas desta vez o som não saiu. A voz não se ouviu. Sentiu uma enorme frustração. Tinha o pressentimento que era a ela que o dono de ditos passos procurava. Mas ele parecia estar longe e ela não conseguia falar para o ajudar a encontra-la. O corpo não produzia qualquer som a não ser o tiritar dos dentes.  Comeu o resto do chocolate, a muito custo pôs-se em pé e tentou caminhar. Ia desesperadamente ao encontro de quem a procurava, à procura da salvação. O corpo não aguentou mais que meia dúzia de passos, caiu e perdeu os sentidos.

to be continued ...

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